
Contratação de Serviços; lições aprendidas para decisões mais Assertivas.
14 de março de 2026Na última sexta-feira, dia 13 de março, tive a oportunidade de conduzir uma aula no Bootcamp High Level – Turma 3, dentro do Programa de Aceleração para C-Level. O tema foi Estratégias Comerciais, um assunto que muitas vezes parece simples, mas que na prática define a capacidade de crescimento e sustentabilidade de uma organização. Iniciei a aula com uma provocação aos executivos presentes: sua empresa realmente possui uma estratégia comercial ou apenas possui vendedores tentando vender? Essa pergunta, aparentemente direta, revela uma realidade comum em muitas empresas.
Muitas organizações confundem atividade comercial com estratégia comercial. Ter vendedores, prospectar clientes e apresentar propostas são atividades importantes, mas não significam necessariamente que existe uma estratégia estruturada. Estratégia comercial envolve direcionamento claro, processos definidos, análise de mercado e integração com a gestão da empresa. Quando esses elementos estão alinhados, a área comercial deixa de ser apenas operacional e passa a atuar como um verdadeiro vetor de crescimento do negócio.
Durante a aula também discutimos o tamanho e a relevância do mercado de serviços no Brasil, especialmente nos segmentos de segurança, tecnologia e facilities. Trata-se de um setor que movimenta mais de cem bilhões de reais por ano e envolve milhões de profissionais, demonstrando que oportunidades existem em grande escala. Porém, o tamanho do mercado por si só não garante crescimento. O diferencial está na capacidade da empresa em se posicionar estrategicamente, entender seu nicho de atuação e desenvolver soluções que gerem valor real para o cliente.
Outro ponto importante abordado foi o perfil das equipes comerciais. Muitas empresas ainda não têm clareza sobre qual tipo de profissional precisam desenvolver em sua estrutura de vendas. Existem vendedores mais focados em prospecção e abertura de mercado, conhecidos como hunters; profissionais que trabalham o relacionamento e expansão de contas, chamados de farmers; e também vendedores técnicos, comuns em mercados mais complexos, onde a venda exige conhecimento profundo da solução oferecida. A definição correta desses perfis influencia diretamente a estratégia de crescimento e a forma como a empresa se posiciona frente à concorrência.
Também discutimos um tema extremamente sensível para qualquer organização: metas comerciais e gestão baseada em dados. Em muitas empresas, metas ainda são definidas de forma intuitiva, sem considerar histórico de vendas, pipeline de oportunidades, ticket médio ou cenário econômico. Ferramentas como CRM e indicadores de performance permitem acompanhar todo o funil comercial, analisar taxas de conversão e identificar oportunidades de melhoria. Quando bem utilizadas, essas ferramentas transformam o processo de vendas em algo mais previsível e estratégico.
Outro aspecto essencial da estratégia comercial é a precificação. Definir preços não significa apenas calcular custos ou acompanhar o valor praticado pelos concorrentes. Uma política de preços bem estruturada precisa considerar a complexidade operacional do serviço, os indicadores financeiros da empresa, a margem desejada e principalmente o valor percebido pelo cliente. Quando a precificação é feita sem critérios técnicos e financeiros, o risco é transformar crescimento em prejuízo, comprometendo a sustentabilidade do negócio ao longo do tempo.
A principal reflexão da aula foi que empresas que crescem de forma consistente não dependem apenas de bons vendedores. Elas dependem de estratégia clara, estrutura comercial bem definida, política de preços adequada e gestão orientada por dados. Quando esses elementos estão conectados, a área comercial deixa de ser apenas um departamento e passa a ser um verdadeiro motor de crescimento da organização.
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Marcelo Bando



